Made by Debbie – Projeto Gastronomia Inclusiva

Inclusão. Essa é a palavra da vez. Empresas tem que cumprir a lei de cotas e são obrigadas a empregarem pessoas com deficiência. Escolas tem que cumprir a lei de inclusão e não podem mais rejeitar pessoas com deficiência. E a frase que se ouve por todos os cantos é: Nós não estamos preparados, não sabemos como fazê-lo, não somos capacitados.

familiaupdown-made-by-debbieEntão, qual é a melhor forma de incluir? Incluindo! É preciso que haja preparo, mas acima de tudo, é preciso que haja vontade e coragem! Foi isso que a Made by Debbie teve quando criou o projeto Gastronomia Inclusiva. Somos uma empresa pequenininha, voltada para a gastronomia aliada a uma alimentação saudável, que oferece desde eventos alternativos de acordo com o perfil do cliente a cursos de pratos saudáveis e saborosos que vão muito além do simples ato de se alimentar. Diante da proposta de ser responsável pela ala gastronômica de uma mostra de arquitetura, decoração e paisagismo em Belo Horizonte, a Morar Mais Por Menos, e tendo como pano de fundo uma pós graduação em especialização multidisciplinar em síndrome de Down em andamento, não houve dúvidas: nossos garçons terão síndrome de Down ou alguma outra deficiência.

A partir desse desejo e dessa certeza, iniciamos recrutamento e seleção para iniciarmos o treinamento. Penso que quando temos a convicção e a segurança que estamos buscando realizar algo do bem , atraímos pessoas com os mesmos ideais que facilitam e tornam tudo possível. E assim formamos uma equipe top. Todos voluntários, que acreditavam nesses jovens tanto quanto nós. Nossa turma, todos com síndrome de Down, apesar das vagas terem sido abertas para todas as deficiências,  foi treinada pelo coordenador do curso de garçons do Senac, kleverthon Silva,  por um dos melhores sommeliers do Brasil, Renato Costa, por um maitre e sommelier de uma renomada rede de hotéis, Alitton Sousa. Porém, no primeiro dia de aula, percebemos que nossos instrutores técnicos não seriam suficientes, apesar de todo conhecimento e habilidade para ensinar. Os jovens andavam com a bandeja na mão como se estivessem andando em uma corda bamba. Era a hipotonia dando as caras como uma das características prevalentes da síndrome de Down. Convidamos Breno Morgan, fisioterapeuta, para trabalhar força, equilibrio e resistência. Foram incluídos treinos em academia três vezes por semana. E assim o treinamento foi sendo construído; a partir das necessidades que surgiam. Tivemos a felicidade de termos como colegas de pós-graduação, profissionais com vasta experiência em síndrome de Down que uma vez sendo convidadas a conhecer o projeto, se familiaupdown-made-by-debbieenvolviam e se tornavam parceiras. Foi o que aconteceu com Letícia Silva, fonoaudióloga e psicopedagoga, uma das criadoras do método Multigestos, que juntamente com a fono Viviane Ribeiro, trabalhou a fala de todo o cardápio; a terapeuta ocupacional Laura Monteiro e a fisioterapeuta Camila Conrado que trabalharam em circuitos para melhorar memória e atenção e até mesmo a musicoterapeuta Simone Presotti, professora de um dos nossos módulos da pós, que realizou um trabalho maravilhoso com a turma. Caroline Marques, também colega de turma, psicóloga empresarial, se dedicou à seleção e ao treinamento. E é claro, havia também os pais/ responsáveis por esses jovens. Tínhamos que dar conta das nossas angústias desenvolvendo um projeto piloto e tínhamos que acolhê-los também. Contamos com o apoio da grande amiga Waldanne Bartholo, psicóloga com vasta experiência clínica que atendia esses pais / responsáveis com regularidade. A confiança e parceria deles era fundamental para que tudo desse certo.

Não foi fácil! Havia muitas perguntas sem respostas, cobranças, insegurança e tínhamos um prazo a cumprir. Nossa turma tinha que estar pronta para o início da mostra. Tínhamos uma convicção: iria dar certo. Foram 101 horas de treinamento em seis semanas, noites mal dormidas, dúvidas, incertezas, trabalho duro 24 horas por dia, 7 dias por semana. Chegou o dia do coquetel de abertura da mostra. 500 convidados, 10 garçons com síndrome de Down, 3 garçons neurotípicos, ajudantes de cozinha, profissionais voluntários de apoio e nossa fotógrafa voluntária Kely Aguiar para registrar tudo. Sucesso total! E SUCESSO tornou-se nosso grito de guerra! E orgulho o sentimento presente em nossos corações. Orgulho e gratidão! Orgulho por assistir a esses jovens se superarem a cada dia, pelo esforço e empenho em fazerem o melhor. Gratidão a Deus por nos permitir fazer parte disso.

Foram seis semanas de funcionamento da mostra. Por seis semanas eles trabalharam com dignidade, superando desafios, sempre leves, sempre felizes por estarem ali, aprendendo e nos ensinando muito. Acredito que muito mais ensinando do que aprendendo. Chamamos a atenção da mídia, demos entrevistas para jornais e TVs, tivemos visibilidade! Agora, além de garçons, nossos jovens se consideravam celebridades! Projeto piloto, módulo garçom: missão cumprida!

familiaupdown-made-by-debbieVinte e oito dias após o encerramento da Morar Mais, iniciamos um novo módulo: bartender. Agora já tínhamos o projeto descrito formalmente no papel, elaborado pela Valéria Soares, gerente de projetos residente em São Paulo, amiga de longa data e que veio conhecer o projeto durante a Morar Mais. Até então, não tínhamos nenhuma ajuda financeira, apenas recebemos uma doação para adquirirmos todo o equipamento necessário para um curso de bartender. Foram 93 horas de curso distribuidas em 6 semanas, incluindo desde as técnicas de bar e preparo de coquetéis a sessões de fisio, fono, psicopedagogia e treinos práticos onde a Made by Debbie abriu as portas para que Happy Hours acontecessem como em um bar.  Dessa vez, os desafios cognitivos eram maiores: receitas, quantidades, variedades de bebidas. E dessa vez, tivemos diversidade na turma,  além de jovens com síndrome de Down, surdos e um jovem com TEA , o que proporcionou uma relação incrível entre o grupo. Profissionais voluntários novamente presentes, nós da Made by Debbie mais seguras e confiantes, alguns novos parceiros e estávamos prontas para mais um desafio. Afinal, com apoio ou não, o projeto tinha que continuar. Tivemos o privilégio de ter como instrutor, além de Kleverthon e Alitton, já familiarizados com o projeto, o campeão brasileiro das olimpiadas de conhecimento do Senac, Cássio Batista, que ensinou, envolveu e inspirou nossa turma. Tivemos também a sorte de encontrar pelo caminho Karla Fortes e Raquel Souza, intérpretes de libras, a linguagem dos surdos, que abraçaram a causa e se faziam presentes sempre que necessário. Novos parceiros chegaram, Julienne Firmino, fonoaudióloga, e Danilo César, educador físico, trouxeram o projeto Corpo que Fala, aliando cognitivo ao motor, ambos essenciais para o desempenho de um bartender. Juliana Araújo, psicopedagoga, especialista em inclusão, trouxe  a experiência, uma disponibiliade infinita e seu sorriso largo. Letícia Silva achava uma brecha em sua agenda atribulada para atender a essa turma, ajuda essencial para que dificuldades fossem superadas. Chegou também a Renata Lopes com sua expertise em contabilidade e administração, precisávamos muito disso. Assim como Maurilo Andreas, que criou nossa logo assim que a Made by Debbie surgiu, em 2011 e nos ofereceu toda a assessoria de marketing e realizando os ajustes necessários. Parceiros novos e antigos, todos deram o seu melhor, todos se envolveram, todos transformaram e saíram transformados.

O módulo bartender se encerrou no dia 7/12/2017, 6 dias antes de viajarmos para California, em busca de patrocinadores e ajuda financeira. Viagem patrocinada por uma amigo querido, que acredita nas idealizadoras desse projeto como ninguém. E aqui estamos, construindo mais um capítulo desse projeto inovador, ousado e lindo! Precisamos de verba para darmos continuidade, até então, doamos nosso tempo, nosso trabalho e nosso dinheiro. Vamos seguindo em frente, quebrando barreiras, superando obstáculos, realizando um trabalho sério e sólido, com coragem, vontade e amor.

A inclusão é possível, basta oferecer oportunidades para que ela ocorra. Nosso slogan é “Todo prato fica melhor com uma pitada de inclusão”. Na verdade, a sociedade se torna melhor sendo inclusiva. Não há nada mais rico que a diversidade para aprendermos frente as diferenças e evoluirmos. Tudo que é inclusivo é bom para todo mundo.

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(31)3371-7743 – (31)99189-8544

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